quarta-feira, 17 de junho de 2015

Cócegas são tortura não só em humanos!, lórises ou cinco anos de vegetarianismo.

 Foto: International Animal Rescue (IAR)/ Creative Commons
Apesar de nunca ter feito um post sobre o assunto aqui no blog, eu sou uma amante de animais de longa data. Quando pequena eu pensei em ser veterinária (só nos finais de semana, em dias de semana eu queria ser professora. Imagina a felicidade da minha mãe com isso) e o filmes que até hoje mais me fazem chorar são aqueles com animais. Aos três anos, impulsionada por um cometário sobre comer carne de boi ou de porco, não lembramos muito bem, perguntei aos meus pais se era preciso 'matar os bichinhos para comermos'. Quando a resposta foi positiva eu me recusei a terminar a refeição. 

Infelizmente, criança tem memória curta e é fácil de enganar então eu continuei comendo carne, sempre de maneira seletiva. Nada cozido, quase nada de assados. Era mais espetinho, cachorro quente, hambúrguer, tudo muito saudável. Até que um dia, na sétima série, mais especificamente em 12 de março de 2010, eu assisti em sala de aula ao documentário 'A Carne é Fraca', produzido pelo Instituto Nina Rosa. Apesar de muitos o criticarem e considerarem a produção inconsistente, foi suficiente para impressionar uma pessoa de doze anos. Depois daquele dia, eu nunca mais coloquei um único pedaço de carne na boca intencionalmente (até aconteceu sem querer, mas eu não engoli).

No começo, confesso que eu importunava bastante as pessoas sobre como a matança de animais para o nosso bel-prazer é imoral e que criticar os chineses que comem cachorrinhos e comer um boizinho faz de alguém hipócrita (pronto, parei). Hoje eu já consigo evitar uma discussão ao ver alguém comendo carne, desde que ela não queira me convencer que isso é correto, utilizando argumentos incoerentes e absurdos. 

Eu não quero tentar instituir uma sociedade vegetariana, pois sei que seria inconcebível. Existem pessoas morrendo de fome ou sendo jogadas ao mar ao fugirem de seus países em guerra e quase nada se faz sobre isso. Somos muitas vezes incapazes de nos solidarizarmos com alguém que é de nossa mesma espécie, imagine ter empatia por um animal que não se assemelha a nós. Por isso, o vegetarianismo para mim é, atualmente,  uma questão pessoal. Eu não conseguiria dormir tranquilamente todas as noites sabendo que participei, mesmo que minimamente, deste ciclo vicioso entre produtores e consumidores.

Ainda sim, eu sei que só não comer carne não é suficiente. Na verdade, este não é nem o máximo que poderia ser feito em nível individual, visto que eu não sou vegana. O problema é que abandonar o leite e os ovos é um processo muito radical e o fato de não ser eu quem preparo toda a minha comida toda tudo ainda mais complicado.Então esse é um projeto pessoal a ser desenvolvido ainda, está na minha lista de 'coisas para fazer antes de morrer'.

E quando se trata de ações de nível global, o máximo que eu fiz foi assinar algumas (várias) petições do Greenpeace. Na mais interessante delas, acabei recebendo um e-mail da Embaixada Russa no Brasil falando sobre a prisão da brasileira Ana Paula Maciel. Só que nenhum deles tinha me chamado tanta atenção quanto a iniciativa da organização International Animal Rescue.

Com sede no Reino Unido, a organização tem como objetivo resgatar e reabilitar animais domésticos e selvagens, devolvendo os último para a natureza ou colocando-os em santuários caso não sejam capazes de se adaptarem em seu habitat natural. Orangotangos, gatos, ursos, cachorros, pássaros, macacos e outros animais são ajudados. Mas foi no último dia 08, devido à grande repercurssão na internet, que lançou-se a campanha 'Tickling is TORTURE -  Save the slow Loris' (Cócegas é tortura - Salvem os Lóris, em tradução livre).

Com inúmeros compartilhamentos e 'repostagens', vídeos com Lórises Lentos 'apreciando' cócegas são ou uma terrível crueldade ou uma completa ignorância. Conhecidos por sua fofura esses primatas são originários do sudeste asiático, mas tem sido tirados de seu ambiente natural de forma ilegal para habitar em outros países como animais de estimação. No caminho muitos morrem em suas minúsculas gaiolas e os outros continuam a conviver com os seus semelhantes lá mortos. Ainda em sua terra natal, eles tem seus dentes barbaramente arrancados com cortadores de unhas (foto acima), alicates ou outras ferramentas similares, para supostamente os tornarem inofensivos. O mesmo ocorre com aqueles com os quais os turistas tanto amam fotografar e filmar. Alguns argumentam que eles foram nascidos em viveiros, mas a verdade é que em 2012 somente 11 animais nasceram em zoológicos ao redor do mundo. Nessa mesma data, eram 50 os diferentes filmes de Lórises disponíveis onlines, explica a Professora em Antropologia e Conservação Primata Anna Nekaris, em sua palestra no TED+ de Nashville. 

Além disso, os lórises lentos são tradicionalmente noturnos, e luz muito intensa pode cegá-los. Eles também são animais que percorrem longas distâncias durante a noite para depois serem aprisionados em minúsculas gaiolas facilmente, visto que possuem movimentos vagarosos como o próprio nome diz. Todo esse sofrimento tem aumentado com ajuda das redes sociais: rastreados pelo projeto da Professora Nekari, viu-se que o comentário mais feito sobre o assunto é 'eu quero um para mim'. Não é de se surpreender que o valor da espécie tenha aumentado no mercado clandestino. 

O que podemos então fazer, você deve estar se perguntando (ao menos eu espero isso)? A resposta pode ser dada em diversos graus. Pode-se compartilhar a informação sobre como funciona a vida em cativeiro dos Lórises, assinando também o compromisso de não apoiar nenhuma ação relacionada ao contrabando dessas fofurinhas, sempre que possível instruindo as pessoas de que este ser vivo sofre ao receber as tais 'cócegas'. Pode-se também doar valores em libras, euros ou dólares, adotando simbolicamente um animal. Camisetas e bichos de pelúcia também estão disponíveis, e todo o dinheiro arrecadado é destinado ao sustento do projeto.

Para os mais radicais, o International Animal Rescuer aceita voluntários para as suas mais diversas bases. Com certeza a que mais me interessou foi a que trabalha com os Lórises, em Ketapang. Espero um dia poder contar aqui - orgulhosamente - que eu finalmente saí da teoria, da fácil tarefa de escrever sentada confortavelmente em frente ao meu computador, e fui me esgueirar pela Indonésia? E quem sabe  esse dia não esteja mais próximo do que se imagina?



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