quinta-feira, 18 de junho de 2015

Capítulo 7, Dois Meses ou O que você quer ser quando crescer?


Papi e eu, não sei se na ida ou na volta do Marumbi!

Crianças tem, certamente, uma diferente percepção diferente do que acontece ao seus arredores. Ao perguntar para elas qual profissão elas desejam exercer no futuro, elas darão as mais variadas respostas. Veterinária, astronauta, professor, cientista, cigana promotora de justiça e o que lhes parecer interessante no dia. Para elas não importa o mercado de trabalho, a remuneração ou todo o caminho que elas precisarão percorrer para chegar a determinado posto. Aos olhos infantis, querer é, sempre, poder.

Inevitavelmente o tempo passa, e todos os que tem a oportunidade, crescem. O mundo então já não parece tão simples. A vida é como exercícios de física do Ensino Médio: nunca  fáceis, mas não condizentes com a realidade, já que esta não acontece em situações ideais. Decisões precisam ser tomadas, notas precisam ser alcançadas e, no meio disso a sensibilidade e a capacidade de interpretar a nossa história de uma maneira inocente se torna menos óbvia. Na loucura e na correria do cotidiano, muitos não tem tempo de contemplar este lado que está presente em todos nós.

Mas algumas pessoas seguem, mesmo que inconscientemente, rumos de infância. Dedicam-se à atividades que influenciarão diretamente a vida de muitos. São aqueles professores, médicos, militares que dispensam tempo de sua privacidade para atuar diretamente na sociedade. Em muitas dessas vezes, eles arriscam suas próprias vidas. E é sobre isso que eu gostaria de falar.

Para quem não sabe, eu tenho o meu próprio super-herói em casa, que me tirava do meio da aula para fazer arvorismo improvisado no parquinho da escolinha. Que também me ensinou a nadar, andar de bicicleta, jogar vôlei e a também dar alguns nós com a corda. E levou-me para acampar, para escalar uma montanha e para nadar onde o mar não me dava pé. Meu super-herói não usa capa (a Edna, de Os Incríveis aprovaria), mas usa farda e arrisca a própria vida para ajudar os outros. E essa era uma realidade que sempre pareceu distante para mim. Até ontem.

Ao me buscar no curso de francês minha mãe estava no telefone. Entrei no carro comentado que ela iria levar uma multa, mas ela pareceu não prestar atenção. Ela estava falando com o meu pai, que estava no hospital. Logo avisando que estava tudo bem, ela contou que durante um incêndio no bairro Parolin um muro havia caído em meu pai e em um colega de trabalho. Ele só estava esperando os resultado de um exame sair para ver se algo mais grave tinha acontecido. Felizmente não, mas poderia, caso ele não estivesse usando um capacete para proteção. Poderia ter acontecido algo e eu, sinceramente, não saberia o que fazer sem essa pessoa que tanto me influenciou. Influenciou-me e mostrou-me que nós podemos ajudar o próximo constantemente, sem nos vangloriar disso.

E é essa pessoa quem que daqui dois meses embarca junto comigo para me acompanhar no início de uma nova fase, rumo a uma vida mais influenciada por ele do que às vezes eu deixo transparecer. Eu te amo muito, Pai!

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