domingo, 10 de maio de 2015

Capítulo 5, cem dias, dias das mães ou sobre como eu sentirei falta da minha.


Cem dias. Ainda faltam 100 dias. Logo, logo, daqui poucas horas, restarão somente dois dígitos e o tempo passará mais rápido do que nunca. Com poucos arranjos ainda por fazer, como visto e algumas comprinhas, fico divagando sobre como serão as aulas e como a cidade é. Afinal, é o futuro que nos move.

Obviamente, alguns pontos nós preferimos ignorar. Como diz Scarlett O'Hara, 'eu penso nisso amanhã'. E o amanhã chega, e nós repetimos a frase novamente, até quando nos for conveniente. E eu confesso que uma das questões nas quais eu mais evito pensar é como eu ficarei longe dos meus pais. É claro que achamos engraçado e fazemos brincadeiras com o fato da minha mãe ficar os primeiros vinte dias sozinha, considerando que só meu pai irá comigo. Também rimos da frequência de ligações, mensagens e conversas por Skype, mas será que quando eu já estiver lá será assim tão cômico?

Veja bem, eu tenho a melhor mãe do mundo, e isso não é uma hipérbole. Até meses atrás ela me trazia café na cama, e eu sinceramente acho que isso só não acontece mais porque quando eu acordo ela já saiu de casa. Ela ontem mesmo estacionou o carro na calçada de um jeito meio, como posso dizer, peculiar, só para deixarmos um filme da minha câmera analógica para revelar.

E esses pequenos gestos do cotidiano sempre estiveram presentes. Lembro quando criança, sobre como ela se empenhava em me ajudar nas tarefas de casa. Chegamos a levar bronca por inventar demais, usando cola glitter ao invés de papel crepom para uma atividade do jardim de infância. Até um marceneiro no qual nós fomos achava exagerado mandar fazer um trabalho de escola lá na marcenaria. E ele fez questão de deixar bem clara a opinião dele.

E falando em escola, minha mãe não era participativa somente fora dela. Era dentro também. Na educação infantil, ela brigou com a professora que descontou minha 'nota' porque eu não fui de uniforme. Ela era minha tia. O ensino fundamental começou com a falta de segurança da entrada do colégio.Depois foi a vez da professora de educação física, da professora da terceira série e de uma que reclamou da minha letra. A quinta série nem se fala. Como diz a minha mãe, ela só não chamou a professora de santa. O tempo passou, mas as confusões não diminuíram, aconteceram mais pelo menos umas quatro vezes. Depois disso eu já tinha aprendido e eu mesma ia na coordenação fazer as minhas reclamações (apesar de algumas vezes ela sentir saudades e decidir resolver por si só. Contra a minha vontade).

E o que mais nós temos em comum, além da incrível habilidade de estar envolvidas em discussões e a mania de fazer leitura dinâmica? Bem, posso dizer que o meu gosto para filmes foi bem influenciado. Filme água com açúcar, para chorar bastante, né, mãe? Diário de Uma Paixão, Escrito nas Estrelas, Um Amor Para Recordar, De Repente 30, O Melhor Amigo da Noiva (que nós assistimos duas vezes só no cinema!). Novela então, só se for a das seis, para relaxar (acredita que a Júlia, o Felipe e o Miguel vão viajar juntos, mãe?!). E música? Marisa Monte, por favor, para cantar bem alto no carro. Se enjoar, tem Elis Regina e Legião Urbana.

E em momentos tão felizes, tem uma coisa que não pode faltar: comida! Vamos dizer que o meu gosto não muito saudável para alimentação não veio do meu pai. Chocolate, bolacha recheada (eu prefiro Passatempo, a minha mãe Bono), coca-cola e o nosso prato preferido: macarrão. E não é qualquer tipo, tem que ser a nossa receita. Cebola, alho, cebolinha é o segredo. Palmito, tomate e cenoura são opcionais. Só muda um pouco quando dá aquela vontade de comer miojo. E por falar em comidinhas gostosas, o bolo de cenoura com brigadeiro de ontem está sensacional.

Mas não é só pelo paladar que ela me agrada. Mamãe adora comprar presente. Normalmente mamãe acerta, especialmente com roupas. Mas acho melhor nem tocar no assunto da blusa com ursinho que eu nunca usei. Contudo, se eu precisasse dizer a surpresa que mais me marcou, foi o balão de gás hélio que você levou ao me buscar na escola uma vez. Esse e aqueles 50 balões que você queria colocar para fora do carro quando eu cheguei de Londrina. Ainda bem que eu inventei de colocar a bagagem no porta-mala.Imagina o que você não vai aprontar quando eu vier para casa em agosto do ano que vem?

É, o tempo passa rápido. Faltam só cem dias. Só mais cem dias para nós ficarmos juntas, fazendo tudo isso que nós gostamos de fazer. Pois Coimbra pode ter universidade, Zara com preço plausível e Accessorize com o óculos igual ao que eu quebrei e quero outro, mas é só Curitiba que tem mãe. Podem ser três anos em Coimbra, mais dois em Science Po Bordeaux e mais dois em Columbia, posso morar fora o tempo que for. Mas casa é uma coisa, lar é outra. E esses dias eu li no Pinterest (mais uma coisa que temos em comum!) a melhor definição dessa palavra: lar é onde mãe está. E não importa onde eu estiver, estarei sempre agradecendo por você ter me incentivado a sonhar e a chegar lá. Afinal, você sempre disse que eu tenho que ser a melhor. E você não só disse, como deu exemplo: é a melhor, a melhor das melhores mães do mundo. E como eu fico feliz por isso.


Postagem dedicada a minha leitora mais fiel,
que aproveita também para corrigir alguns errinhos.
Obrigada por isso, e por tudo.
Feliz Dia das Mães.
Te amo mais que tudo.


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