domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sobre séries de TV, suas aspirações e inspirações


'Oh, dane-se a beleza. Eu sou brilhante.
Se você quer me agradar, elogie o meu cérebro! 

Eu preciso confessar algo. Eu sou completamente viciada em séries de televisão. Nos últimos dois anos eu assisti mais ou menos quarenta temporadas. Não, você não leu errado. Entre todos os episódios de Desperate Housewives, Sex and the City (falei um pouco da série aqui), e muitos outros, o montante final de horas é gigantesco. Mas eu nunca tinha feito uma loucura tão grande quanto aconteceu com uma certa série médica. Eu levei apenas três meses para me atualizar em dez anos de história. E se não bastasse viciar sozinha, contaminei algumas pessoas a minha volta. Até meu pai que adora dizer que televisão é o mal do século!

Mas por favor, que atire a primeira pedra quem nunca se viciou em um programa de TV: um reality show, uma novela, um desenho animado, uma série ou uma minissérie. Muitas vezes temos vergonha de assumir  que isso ocupa mais tempo do que deveria das nossas vidas. Poderíamos estar lendo, escrevendo, fotografando ou fazendo qualquer outra coisa mais intelectualmente produtiva. Pois esse é o estigma da televisão nos dias de hoje: inculta. Mas será que é bem assim? Posso pensar em inúmeros motivos para discordar da afirmação.

Conversando com minha mãe, perguntei sobre os primeiros programas aos quais eu assistia com uma certa assiduidade. Teletubbies, foi certamente um dos primeiros. Ainda deve ter uns episódios perdidos em fitas de vídeo aqui em casa. O meu Tinky Winky, junto aos outros bonecos, foram para doação. Aqui em casa, praticamente só se via programas infantis! Eu amava os desenhos como Tarzan, Alladin, Lilo&Stitch, Kim Possible, Três Espiãs Demais. Mas o tempo passou e eu evoluí para as novelas das seis. Como eu adorava Sinhá Moça (assisti depois as duas vezes que reprisou!). Até que um dia, não me pergunte a razão, eu comecei assistir Gossip Girl. Minha mãe protestava, e se eu me recordo bem, até chegou a me proibir de ver. Para a época, era 'pesado' demais. Hoje, assistindo novamente com um senso crítico muito mais aguçado e pós-proposta de Sex and The City, posso ver que não é bem assim. Mas isso é assunto para um outro post. O que importa é o fato da série de Blair Waldorf ter me apresentado o maravilhoso mundo das séries. Onde você pode ser quem você quiser durante a duração do episódio. Eu já fui uma adolescente dos anos 90 com Barrados no Baile, uma pertencente de uma tradicional e nobre família inglesa com Downton Abbey e uma cirurgiã do Grey Sloan Memorial Hospital. E sinceramente, esse  último foi o que eu mais gostei. Não, eu nunca cogitei a possibilidade de fazer medicina. Até gosto de biologia, mas não suporto química. Não seria médica pelos motivos certos, e não seria boa nisso. Mas a série conquista mesmo aqueles que pensam como eu. E deixa a profissão ainda mais honrável e interessante que antes, se isso for possível.

Tudo começa com a personagem que dá nome à série, Meredith Grey, acordando com um homem do qual ela nem se lembra o nome. Mas ela não se importa, é o primeiro dia de sua residência cirúrgica. Lá, ela é avisada que ali passaria os melhores sete anos de sua vida. E os sete piores. Lá, encontra Derek Shepherd, o estranho da noite anterior, neurocirurgião, também conhecido como seu chefe. Lá, ela conhece a nada menos que brilhante, deusa da cardiologia, sua pessoa. E os anos passam, com mortes, casamentos, tragédias, felicidades, divórcios, amores, mortes, amizades e mais mortes. E tudo isso com uma trilha sonora encantadora, que inclusive dá nome aos episódios.

Grey's Anatomy inspira. Isso poderia resumir o que eu tenho a dizer. Cada pedaço da trama, que pode até parecer novela mexicana depois de tantos desastres, traz uma reflexão. Seria eu doador de órgãos? O que é ético ou não na medicina? Esses debates, nós já esperamos de uma histórica que se passa em um hospital. Mas para mim, vai além disso. Inspirado pela melhor personagem da série, que infelizmente a deixa na décima temporada, nós nos deparamos com a questão 'você é quem gostaria de ser?'. Porque Cristina Yang é. Como ela mesma disse, 'eu não quero ser muito boa. Eu quero ser incrível.' Ela quer ser a melhor cirurgiã cardiologista, porque 'cardio é hardcore, é bad ass'. Custou seu casamento com o Major Owen Hunt, o cirurgião de trauma mais charmoso do universo. Mas ela conseguiu. Ela só precisou persistir. E é isso o que muitas vezes nos falta, me falta. Continuar. Nem que o seu objetivo seja prosseguir com aquela série sem sua personagem favorita.

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